Inchaço no braço durante a Quimioterapia com Taxanes: Edema ou linfedema?


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Inchaço no braço durante a Quimioterapia com Taxanes: Edema ou linfedema?


  • Postado em: 27/08/2022 às 07:00
  • Autor: Dra. Anke Bergmann

Inchaço no braço durante a Quimioterapia com Taxanes: Edema ou linfedema?

Muitas vezes recebo pacientes com diagnóstico de linfedema no braço, durante a quimioterapia com Taxanos (quimioterapia branca) no tratamento adjuvante do câncer de mama.

Ao analisarmos os estudos publicados, embora os autores definam como "Linfedema", as características são de edema:

1.Evolução aguda iniciando alguns dias após o início da quimioterapia com Taxanos

2.Inchaço maior no braço afetado, mas também com relato de inchaço em outras áreas do corpo

3.Ao exame físico tem presença de sinal de cacifo (edema mole) e ausência de fibrose linfoestática (sinal de Stemmer)

4.Ao elevar o membro, ocorre melhora da sensação de inchaço

Ou seja, todas as características clinicas são semelhantes ao edema (acumulo de liquido com baixa concentração de proteína, caracterizando uma condição aguda)

Esse estudo incluiu 19 pacientes que realizaram linfangiografia pré-operatória e comparou as características do sistema linfático entre quem fez ou não QT neo com taxanos.

Os autores observaram diminuição da contratilidade linfática em pacientes que receberam QT neoadjuvante com taxano.

Ou seja, esses pacientes já apresentavam alterações linfáticas pré-operatórias, possivelmente induzidas pelos Taxanos.

Os autores avaliaram 160 mulheres desde o pre-operatório até 15 meses após a cirurgia.

Na análise multivariada, os pacientes que receberam quimioterapia com taxano tiveram um risco 7 vezes maior de inchaço no braço em 9 meses após a cirurgia em comparação com as mulheres que não receberam quimioterapia com taxano.

 No entanto, a quimioterapia com taxano não foi associada ao linfedema após 15 meses de pós-operatório.

Os autores concluíram que os taxanos causam inchaço transitório no braço.

Esse estudo avaliou 1121 mulheres antes da cirurgia até o termino do tratamento adjuvante com quimioterapia ou radioterapia.

Na análise ajustada (múltipla), os autores não encontraram aumento do risco de linfedema associada ao uso de Taxanos (Docetaxel).

Os resultados desse estudo sugerem que a retirada dos linfonodos é o principal fator de risco  para o linfedema, entretanto muitos pacientes que retiram os linfonodos também são posteriormente tratados com taxanos devido à doença mais avançada.

Portanto, as alterações do volume do braço associados aos Taxanos pode representar edema leve e transitório, e não uma condição crônica característica do linfedema. 

Esses autores, ao avaliarem uma coorte prospectiva com 48 mulheres acompanhadas durante a quimioterapia com a inclusão de taxanos identificaram, após 30 dias do termino da quimioterapia, 25% de mulheres com linfedema (diferença > 10% entre os membros).

O principal fator associado ao linfedema foi a retirada dos linfonodos.

Ou seja, pode ser considerada uma condição aguda decorrente da quimioterapia e não necessariamente um linfedema.

Na prática clinica, observamos que esses "linfedemas", muitas vezes, são curados!

Ou seja, após o término da quimioterapia, conseguimos estabilizar o volume do membro, mesmo sem compressão externa. Esses pacientes deixam de ter o linfedema

Ai vem a pergunta: Não seria um edema transitório causado pelo Taxane? Eu acredito que sim.

O que isso muda? O prognóstico!

O edema é uma situação transitória, o linfedema é crônico. Na prática, o tratamento na fase de redução do volume pode ser o mesmo. Mas após o termino da quimioterapia, aquelas com edema podem não mais precisar usar uma compressão externa (malhas, enfaixamentos ou auto-vestimentas).

Isso é uma boa notícia!

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