Drenagem Linfática Manual (DLM) Guiada por Linfofluoroscopia em pacientes com linfedema após câncer de mama: ciência ou moda?


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Drenagem Linfática Manual (DLM) Guiada por Linfofluoroscopia em pacientes com linfedema após câncer de mama: ciência ou moda?


  • Postado em: 29/07/2022 às 21:42
  • Autor: Dra. Anke Bergmann

Drenagem Linfática Manual (DLM) Guiada por Linfofluoroscopia em pacientes com linfedema após câncer de mama: ciência ou moda?

A DLM, em situações onde o sistema linfático esteja integro, deve ser realizado direcionando o liquido pelas vias de drenagem linfática fisiológica.

Na ocorrência de obstrução linfática devido ao tratamento do câncer de mama, a DLM deve ser realizada por vias alternativas com o objetivo de favorecer as anastomoses linfolinfáticas.

Entretanto, alguns autores observaram que a drenagem linfática fisiológica ou alternativa possui uma grande variabilidade interindividual, podendo uma região drenar para múltiplas vias, sendo imprevisível determinar o seu o trajeto.

A Linfofluoroscopia é um exame que permite a avaliação do sistema linfático em tempo real. É realizada por meio da injeção no interstício de contraste de indociana verde que é absorvida pelo sistema linfático.

Quando as vias de drenagem são identificadas pela linfofluoroscopia, foi gerada a hipótese de que a DLM pode ser adaptada às vias existentes do paciente e também pode ser usada na criação de uma técnica simples de auto drenagem linfática.

Buscando verificar a eficácia da DLM guiada por linfofluoroscopia, foi recentemente publicado os resultados de um ensaio clínico randomizado em mulheres com linfedema após câncer de mama.

Métodos:

Ensaio clínico multicêntrico, controlado e randomizado com 194 pacientes com linfedema após câncer de mama tratadas em cinco hospitais na Bélgica

Todos os pacientes foram submetidos a terapia física complexa (enfaixamento compressivo, cuidados com a pele, exercícios e orientações domiciliares) e foram então separados aleatoriamente em 3 grupos: DLM guiado por fluoroscopia (n = 65), DLM tradicional (n = 64) ou DLM placebo (n = 65).

Os participantes receberam 14 atendimentos de fisioterapia durante a fase intensiva de 3 semanas e 17 durante a fase de manutenção por 6 meses.

Resultados:

Todos os grupos reduziram o volume do membro após 3 semanas de tratamento intensivo, sem diferença entre eles. O efeito da DLM guiada por linfofluoroscopia foi muito semelhante ao grupo com DLM tradicional

Conclusão:

A DLM não forneceu benefício adicional clinicamente importante quando adicionado a outros componentes da terapia física complexa.

Minha opinião sobre a DLM guiada por linfofluoroscopia

- Durante a DLM, o mais importante é promover a entrada de proteínas e liquido intersticial para dentro do sistema linfática (capilares).

- O caminho que eles irão percorrer após, nos coletores linfáticos, depende de diferença de pressão (concentração de líquidos).

- Não acredito que o fato de conhecer as vias de drenagem nos coletores, deve ser usado como determinação do trajeto da DLM (o mais importante não seria a absorção de liquido e proteína intersticial?).

- Os efeitos da DLM não podem ser somente avaliados em relação a redução do volume, mas principalmente, em relação a melhora dos sintomas associados ao linfedema e ao aumento da aderência ao tratamento.

Então, quando a linfofluoroscopia poderia ser útil?

1.No diagnóstico de linfedemas primários

2.Na avaliação dos desfechos em protocolos de pesquisa clínica

3.Nos procedimentos cirúrgicos para prevenção e tratamento do linfedema 

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